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Além do Prato: Alunos da Escola de Gastronomia Social Exploram Raízes Culturais em Fortaleza

Imersão em equipamentos históricos e mercados populares conecta futuros profissionais à identidade e ao território cearense

A formação de um cozinheiro vai muito além da técnica de corte ou do tempo de fogo. Compreender o território, a história e a identidade de um povo é ingrediente fundamental para quem deseja transformar a gastronomia em ferramenta de mudança social. Com esse olhar, os alunos dos Cursos Profissionalizantes (Turma 2025.2) da Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco iniciaram uma jornada de vivência cultural por Fortaleza neste mês de fevereiro.

As visitas guiadas, parte integrante da matriz pedagógica da Escola, buscam conectar os estudantes aos pilares da cultura local, unindo o insumo regional à memória afetiva.

Do Chão do Mercado ao Palco do Teatro

A programação teve início no sábado, 07 de fevereiro, com um tour gastronômico e histórico pelo Centro da cidade. A primeira parada foi o Mercado São Sebastião, templo da culinária regional, onde os alunos vivenciaram a dinâmica da comercialização de produtos típicos e o contato direto com o produtor: o primeiro elo da cadeia gastronômica.

Em seguida, o grupo seguiu para o Teatro José de Alencar. A visita ao ícone arquitetônico reforçou a importância de compreender a estética e a história do Ceará, estimulando a percepção de que a gastronomia, assim como as artes cênicas, é uma forma de expressão cultural que exige sensibilidade e repertório.

Identidade e Ancestralidade no Cineteatro

No segundo dia de atividades, realizado na última quinta-feira (11 de fevereiro), o cenário foi o emblemático Cineteatro São Luiz. O foco da visita foi a ancestralidade e a representatividade, marcadas pela exibição do documentário “Rosa Negra”.

Após a sessão, a experiência pedagógica foi enriquecida com as falas de Joélho Caetano e Dona Bibiu. O diálogo proporcionou uma reflexão profunda sobre o papel da cozinha na preservação de memórias e na valorização das figuras que mantêm viva a tradição oral e popular do nosso estado.

“A gastronomia não existe no vácuo. Ao levar nossos alunos para o mercado e para os teatros, ensinamos que cada receita carrega uma herança. É preciso conhecer o chão onde pisamos para cozinhar com propósito”, destaca a coordenadora de formação da Escola, Damaris Barros.

O Olhar Pedagógico: Por que a cultura é parte da receita?

Para a Escola Ivens Dias Branco, essas aulas de campo são fundamentais para o desenvolvimento de competências que vão além da cozinha:

  • Repertório Criativo: A arte e a história local servem de inspiração para a criação de pratos com identidade.
  • Consciência Territorial: O contato com o Mercado São Sebastião estimula o uso de ingredientes locais e o apoio à economia regional.
  • Sensibilidade Social: Conhecer histórias como a de Dona Bibiu humaniza o processo de formação e valoriza o saber popular.

Sobre a Escola

Equipamento da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), a Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco (EGSIDB) é gerida pelo Instituto Dragão do Mar (IDM) e faz parte do Cultura em Rede, programa da Secult Ceará que integra ações e políticas culturais na sua rede de equipamentos públicos. O centro de formação, inaugurado em 2018 no bairro Cais do Porto, é um espaço formativo que associa ensino, pesquisa e compromisso social, reconhecendo a riqueza da forma de se alimentar do cearense, os diversos tipos de saberes, a cadeia de produção, promovendo a inovação de produtos, incentivando o empreendedorismo social, qualificando para o mercado de trabalho e contribuindo para o combate à fome, por meio de cursos de longa e curta duração, que acontecem dentro da Escola e em comunidades pelo Ceará. Toda a programação é gratuita. O nome da Escola é uma referência ao empresário Ivens Dias Branco (em memória), do grupo M. Dias Branco, que financiou a sede doada para o Governo do Ceará, em uma parceria público-privada.

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