Produtos e experiências foram apresentados em almoço para autoridades nesta quinta-feira, 22, na sede da Escola

A Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco, instituição da Secult (Governo do Ceará), gerida pelo Instituto Dragão do Mar (IDM), apresentou nesta quinta-feira, 22, os resultados do 3º Laboratório de Criação em Cultura Alimentar e Gastronomia Social. As novas perspectivas de pesquisa no campo da cultura alimentar cearense foram degustadas em almoço exclusivo para autoridades. Ostra assada e defumada do quilombo do Cumbe (Aracati); Búzios de Itarema; Óleo de Coco do Assentamento Maceió (Itapipoca) e Araruta do assentamento Várzea do Mundaú (Trairi) marcaram o menu.

Além da degustação, os convidados, entre eles, a Secretária da Fazenda, Fernanda Pacobahyba; o Secretário da Cultura, Fabiano Piúba, e a Secretária Executiva da Cultura, Luisa Cela, puderam conhecer mais sobre a formação oferecida pela escola aos selecionados no programa. Por meio do Laboratório de Criação, os pesquisadores recebem uma bolsa durante o desenvolvimento do projeto, têm acesso à mentoria com especialistas nas respectivas áreas, além de um cronograma de aulas para a formação em pesquisa e cultura alimentar.

“Esses projetos têm como principal objetivo o fortalecimento da cultura alimentar do Ceará, olhando para o campo, para os territórios, buscando identificar e valorizar tradições, culturas e identidades locais”, afirma Selene Penaforte, superintendente da Escola. Segundo Lina Luz, coordenadora de Cultura Alimentar, por meio do Laboratório de Criação, conseguimos chegar em regiões com riquezas culturais e alimentares que passam despercebidos. Ao final do percurso, a gente apresenta os resultados desses trabalhos com o apoio de parceiros e especialistas.

As pesquisas da 3ª edição

Da esquerda para a direita: Breno Veríssimo, Uliana Lima, Bárbara Maiara, Luciana Santos, Rojane Santos e Lina Luz

Rojane Santos, nascida e crescida no assentamento Maceió, em Itapipoca, a 130 km de Fortaleza, dedicou-se na busca por melhorias no método de produção do óleo de coco no sítio Coqueiro, comunidade onde mora. O objetivo da também jovem agricultora era fazer com que o processo de fabricação não agredisse o meio ambiente e valorizasse os sabores e saberes herdados. O resultado foi um óleo de coco agroecológico que já está disponível para a venda.

Luciana Santos, pescadora, marisqueira, quilombola e uma das líderes na comunidade do Cumbe, em Aracati, trabalhou na proposta de um cardápio que valorizasse os temperos locais. Um dos produtos da pesquisa da quilombola foi uma conserva de ostras defumadas, alimento presente na comunidade. Participar do Laboratório para Luciana, “trouxe aprendizados e fortalecimento para a comunidade”, afirmou Luciana, que também formatou roteiros gastronômicos para quem visita o Quilombo do Cumbe.

Bárbara Maiara desenvolveu uma pesquisa na Comunidade do Farol, em Itarema. Formada em Engenharia de Pesca pela Universidade Federal do Ceará (UFC), ela se propôs a inovar na na criação de produtos com os búzios a partir do resgate dos saberes das marisqueiras. A conserva de búzios foi um dos produtos do trabalho.

Breno Veríssimo viu sua pesquisa nascer no alpendre de casa, no assentamento Várzea do Mundaú, em Trairi. O objetivo é divulgar e explorar as possibilidades da araruta e da ligação com a história de seu povo. O pesquisador produziu a fécula da araruta, além de elaborar materiais gráficos e audiovisuais que trazem a história do insumo, dão instruções sobre o plantio e ensinam receitas. Breno acredita que a “comida nos fortalece de várias formas, fortalece nosso corpo, nosso espírito e nossas lutas”.

Nessa edição, as pesquisas contaram com a mentoria de profissionais de diferentes áreas. Jerônimo Villas-Bôas, Fábio Menna, da Reenvolver (SP), que atua no fortalecimento de cadeias produtivas para agregar valor a produtos da sociobiodiversidade; Gabriela Pieroni, do SlowFood Brasil; Fernando Goldenstein e Leonardo Andrade, especialistas em fermentação e André Nutrichef.

Sobre a Escola – Instituição da Secult Ceará, a Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco (EGSIDB) é gerida pelo Instituto Dragão do Mar. O nome faz referência ao fundador do grupo M. Dias Branco, que financiou a sede doada para o Estado em uma parceria público-privada. O centro de formação oferece cursos básicos e profissionalizantes em cozinha, panificação e confeitaria, além de mentorias para desenvolvimento de produtos e projetos, por meio do Laboratório de Criação em Cultura Alimentar e Gastronomia Social. Todas as atividades são gratuitas, mediante inscrição e processo seletivo. O público-alvo preferencial da escola é formado por jovens em situação de vulnerabilidade social e adultos com ou sem experiência em gastronomia.

Almoço de apresentação do programa: 3º Laboratório Criação em Cultura Alimentar e Gastronomia Social, da Escola de Gastronomia Social Ivens Dias Branco – EGSIDB.

Os resultados estão disponíveis no canal do Youtube da Escola: https://www.youtube.com/escoladegastronomiasocialivensdiasbranco

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