O ano de 2020 foi um período complicado para todos, a pandemia de covid-19 havia estourado no país em meados de março. O  isolamento social rígido foi iniciado no Ceará e serviços não essenciais ficaram suspensos. A EGSIDB teve que paralisar as atividades presenciais, mas o trabalho seguiu acontecendo de forma remota. 

Com base na premissa de Marta Porto, de que um espaço cultural, “para ser cultural, é antes de tudo um serviço comunitário, um prédio e um corpo de recursos humanos com múltiplas opções. Um espaço cultural tem compromisso cultural com o seu tempo”, a EGSIDB procurou ser um escape e um auxílio para o momento delicado. 

Devido a suspensão das atividades presenciais na primeira onda da pandemia, contamos com a internet para realizar as nossas ações. Produzimos cerca de 31 lives para o Instagram e Youtube, trazendo pautas relevantes para a gastronomia cearense como a live “A fome e sua historicidade nas políticas públicas” no Instagram e a série “Faça e venda” no youtube, e ensinando receitas. Ao todo 1972 pessoas nos acompanharam ao vivo e foram 31.810 visualizações nessas redes. 

Além disso, oferecemos cursos básicos online e gratuitos para a iniciação na Gastronomia e em Cultura alimentar. Com o objetivo de viabilizar uma formação para a entrada dos alunos no mercado de trabalho. Os cursos básicos alcançaram cerca de 538 participantes de 65 municípios no interior do Ceará e na Região Metropolitana de Fortaleza. O novo modelo das aulas aumentou o alcance da EGSIDB para todo o Brasil.  Foram 81 formações ofertadas, com 1360 horas, 11.688 inscritos, 3.393 matrículas, 40 participantes por turma em média e 18 professores para a ministração das aulas.  

Em um ano no qual a pesquisa científica no Brasil sofreu severos ataques, o acontecimento da terceira edição do Laboratório de Criação em Cultura Alimentar e Gastronomia Social foi uma resistência. Foram 40 inscrições, 4 pesquisadoras selecionadas,  2.213 horas de formação e um público de 609 pessoas nas atividades abertas. Os estudos passaram por Fortaleza, Aracati, Itarema, Itapipoca e Trairi, produzindo sabores a partir dos saberes locais e com a orientação dos mentores.

A pesquisa de Bárbara Maiara se debruçou sobre os conhecimentos das marisqueiras de Itarema, agregando valor cultural para a inovação de produtos sob a instrução de Fernando Goldenstein e Leonardo Andrade. O resultado de sua investigação foi uma conserva de búzios. Rojane Santos se dedicou na qualificação do processo produtivo do óleo de coco agroecológico, no assentamento Maceió em Itapipoca, com os mentores Fabio Menna e Jerônimo Villas-Bôas. A meta inicial foi alcançada e conseguiram aprimorar o desenvolvimento do óleo. 

Luciana Santos aplicou-se no desenvolvimento do eixo gastronômico do turismo comunitário do Quilombo do Cumbe, em Aracati, com a orientação de Gabriella Pieroni.  O resultado foi a produção de uma conserva de ostra defumada. Já Breno Veríssimo empenhou-se na valorização da araruta, por meio de vídeos e gráficos explicativos sobre o plantio da raiz, além da produção da fécula de araruta e de receitas com o insumo. O resultado final foi a fécula de araruta.  

Para corroborar com a luta pela conservação da terra, com saberes e sabores que passam por gerações e a fim de melhorar a saúde e nutrição de comunidades rurais, a EGSIDB ofertou uma formação virtual de 85 horas para equipes de assistência técnica e rural, além de lideranças comunitárias no Ceará e na Bahia. A ação aconteceu por meio da parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), com o propósito de valorizar e respeitar a sociobiodiversidade local para a promoção de saúde e nutrição no campo.  

Diante da desigualdade social agravada pela pandemia, a EGSIDB lançou o programa Cozinha Social em 2020. Foram 23 associações inscritas, que já atuavam em comunidades vulneráveis, das quais 10 foram selecionadas para o projeto. Os representantes das organizações participaram de 420 horas de aulas teóricas, tutorias e atividades práticas orientadas para a produção. Cerca de 190 voluntários produziram 66.745 refeições, com o apoio da Escola também no fornecimento de alimentos, que foram entregues a 2.570 pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade social.

Para a conclusão da 1ª edição da Cozinha Social lançamos a campanha “Fortaleza Sem Fome”, com objetivo de auxiliar na obtenção de doações e uma forma de minimizar os impactos da pandemia. 

A EGSIDB finaliza o contrato de gestão de 2020 contemplando 92 técnicos de extensão rural e lideranças comunitárias capacitadas. Além de realizar  556 atividades, 3.500 matrículas, 4.473 horas de construção de conhecimento, alcançando um público de 9.342 pessoas. 

 

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